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Plataforma de bom gosto » Mezanino é solução para aproveitar melhor espaço em imóveis com pé-direito alto Intervenção integra áreas e confere requinte aos ambientes

Júnia Leticia - Estado de Minas

Publicação: 26/08/2012 09:01 Atualização: 26/08/2012 10:00

Mais comum em casas, construção também pode ser feita em apartamentos (Eduardo Almeida/RA Studio)
Mais comum em casas, construção também pode ser feita em apartamentos

Uma boa solução para edificações em que a altura da parede é considerável é investir em um mezanino. Mas, antes de se animar e pensar em incorporá-lo ao imóvel, é preciso saber quais são suas características e critérios a serem considerados na hora de projetá-lo. De acordo com o arquiteto e designer de interiores Luís Fábio Rezende de Araújo, mezanino é o andar intermediário entre dois pavimentos. “É pouco elevado e com dimensões menores que o pavimento inferior, possibilitando assim a integração parcial entre os espaços de diferentes níveis”, conta.


Esse ambiente acaba sendo uma plataforma sobre o espaço integral da edificação e, na maioria dos casos, é criado para aproveitar melhor a altura entre o piso e o teto da construção, o chamado pé-direito. “Em exemplos de construções com telhado, o mezanino é muito utilizado para o aproveitamento do desnível da cobertura inclinada”, acrescenta.

Eduarda Corrêa diz que a decoração desse espaço deve ser analisada individualmente (Eduardo Almeida/RA Studio)
Eduarda Corrêa diz que a decoração desse espaço deve ser analisada individualmente
No mezanino, definido também pela arquiteta Eduarda Corrêa como pavimento intermediário implantado entre dois pisos que tem como objetivo aumentar a área útil de uma edificação ou ambiente, o piso superior deve ocupar apenas uma parte da construção, “entre um terço e a metade da área do piso inferior, e abrir-se para o piso inferior para permitir o seu acesso”, completa.

Desde que se tenha altura suficiente para o uso em ambos os pavimentos, em qualquer edificação pode haver o espaço, na opinião de Luís Araújo. Isso é necessário para que haja ventilação e iluminação suficiente em cada ambiente. “A medida mínima confortável é de aproximadamente 2,10m, que seria a altura de uma porta convencional de passagem. Com isso, seria necessário um mínimo entre 4m e 4,30m de altura total do ambiente para se criar um mezanino inicialmente confortável”.

O arquiteto Antônio de Pádua Fialho confirma que, em tese, qualquer tipo de construção pode abrigar um mezanino. “Mas não é tão usual em apartamentos, pois, por definição, o mezanino faz parte de um ambiente maior, com pé-direito duplo, o que demanda mais área construída e volumétrica”, ressalva.

Quando há a possibilidade de incluir um no projeto do apartamento, Antônio Fialho diz que pode-se perceber que a unidade adquire aspecto normalmente só encontrado em casas. “Se o apartamento incluir uma área avarandada generosa, a sensação de que estamos em uma casa é reforçada”, observa o arquiteto.

Por outro lado, quando o caso são construções já existentes, a arquiteta Cristiane Coutinho diz que há algumas restrições. “Em primeiro lugar, o pé-direito do imóvel já existente deve ser, no mínimo, duplo. Se for menor do que isso, há o risco de o mezanino – ou do espaço abaixo dele – ficar com um pé-direito muito baixo, causando desconforto nos usuários.”

SEGURANÇA

A inserção de um mezanino em um imóvel pronto envolve também questões estruturais, conforme Cristiane Coutinho. “É necessário saber se a estrutura do imóvel comporta o acréscimo de peso e como a estrutura do mezanino será afixada: no piso (caso ele comporte o peso extra concentrado em poucos pontos) ou nas paredes (se forem capazes de sustentá-lo)”.

Há, ainda, a questão estética e funcional: Vai aproveitá-lo melhor? Seu uso será compatível com o do restante do espaço? “Uma questão também a ser considerada é que o mezanino é um espaço integrado a outro maior e conectado a ele”, comenta a arquiteta Simone Lopes.

Essa pode ser uma das grandes desvantagens do espaço, que é visível a quem não está nele. “Em função dessa integração, é um pouco difícil conferir privacidade total, tanto visual quanto sonora, do mezanino em relação ao resto do ambiente, e o contrário também”, explica Simone.

Estrutura demanda cuidados
Escolhido o material com o qual o mezanino será construído, é preciso ter atenção às cargas suportadas pelo pavimento. Local demanda vistoria como o restante do imóvel

Quanto aos materiais que podem ser empregados nos mezaninos, há uma diversidade deles, como concreto, madeira ou estrutura metálica. “O material mais adequado deve ser definido de acordo como o uso e com o ambiente pretendido, para que atenda a necessidade do cliente e seja condizente com a decoração proposta”, justifica a arquiteta Eduarda Corrêa. Além dessa orientação, deve-se levar em conta o que será colocado no pavimento superior, para que não exceda as cargas recomendadas, comprometendo assim sua estrutura, principalmente no caso de lojas, como destaca Eduarda. “O acesso também deve ser bem localizado para que a escada não prejudique a circulação do pavimento inferior. Questões de segurança devem ser levadas em conta, como o tipo de proteção no pavimento superior (guarda-corpo)”.

Luis Fábio rezende de Araújo diz que a estrutura é muito usada para aproveitar o desnível em coberturas inclinadas (Eduardo Almeida/RA Studio)
Luis Fábio rezende de Araújo diz que a estrutura é muito usada para aproveitar o desnível em coberturas inclinadas
O arquiteto Luís Araújo diz que os mezaninos podem ser executados de diversas maneiras. “Geralmente, são feitos seguindo a mesma forma estrutural do imóvel. A estruturação do pavimento é o fator mais importante a ser analisado. Ver as condições de apoio, as fundações, o cálculo da estrutura, a altura do pé-direito, os desníveis e seus acessos”, diz. Outro cuidado importante diz respeito aos acabamentos e à localização dos vãos, como janelas e portas. “O interessante do mezanino, justamente por estar em um nível mais alto, é ter uma agradável vista, seja do ambiente interno e da parte inferior do imóvel, seja do espaço externo, voltado para uma bela vista das montanhas ou mesmo uma mata preservada”, sinaliza Luís Araújo.

No que se refere à privacidade, o arquiteto sugere a utilização de recursos decorativos que podem ser bem eficientes. “De acordo com a função estipulada, é interessante ter cuidado para que se tenha certa privacidade quando esse ambiente estiver sendo usado. Em casos de dormitórios, é interessante pensar no uso de cortinas ou painéis que possibilitem ou não a integração com o espaço abaixo”. Por aí já se percebe que os ambientes que podem ser instalados nos mezaninos são os mais variados, como afirma o arquiteto Cadu Rocha. Mas ele faz uma ressalva: “Desde que possam ser integrados com o ambiente inferior. Mesmo criando autonomia e privacidade, assim podemos ter desde dormitórios, salas de estar e TV, escritórios, ateliês, bibliotecas, entre outros”, aponta.

Na hora de fazer o projeto para o local, é preciso ainda, definir a relação entre os espaços inferior e superior, suas características, usos e graus de privacidade. “Também é importante pensar nas vistas que serão obtidas a partir do mezanino (não faz sentido que ele seja um espaço apertado, abafado) e também em como será iluminado”, considera Cadu Rocha.

PRIVACIDADE

De acordo com Luís Araújo, em residências é mais interessante ter uma área mais íntima da casa no mezanino, “como o quarto, o closet, o escritório ou mesmo o banheiro. O desnível entre andares já caracteriza que, para ir até o espaço acima deve-se ser convidado”, diz o arquiteto. Independentemente do uso, é essencial observar a proporção do espaço em relação à edificação, ponderando o que seria interessante. “Um mezanino infinitamente pequeno em relação ao ambiente inferior, ou grande, pode perder a ideia de mezanino ou ficar despercebido no contexto, configurando como dois níveis desintegrados”, explica Luís.

Para ajudar nessa harmonia, é essencial ter cuidado também no que diz respeito à decoração. “Não tenho dúvidas de que deve seguir as mesmas linhas e diretrizes do restante da edificação. Em alguns casos, há pessoas que fazem um espaço mais descontraído e leve. Mas ainda acho que deve ser condizente com o restante da decoração”, diz o arquiteto. Segundo Cadu Rocha, as peças devem ser escolhidas de acordo com o uso definido para o espaço. “Por ser um ambiente diferenciado, é interessante que sejam usados elementos de destaque, mas sem deixar de lado o conforto do usuário. Outro ponto importante é saber se o mezanino é visível a partir do andar (ou piso) de baixo e vice-versa. ”

Decoração na medida certa

Instalação de divisórias de vidro na sacada ajuda no aproveitamento da iluminação natural do ambiente e contribui com a integração das áreas inferior e superior de forma harmônica (Eduardo Almeida/RA Studio)
Instalação de divisórias de vidro na sacada ajuda no aproveitamento da iluminação natural do ambiente e contribui com a integração das áreas inferior e superior de forma harmônica
Como se pode perceber pela opinião dos profissionais, não há regras para decorar mezaninos. Apesar disso, é preciso cuidado para que o ambiente não se torne desagradável, ou seja, poluído visualmente para quem faz uso dele ou simplesmente o vê do pavimento inferior. “Como geralmente são integrados, um espaço muito cheio de cores, texturas diferentes, mobiliário e adereços pode prejudicar a decoração dos outros locais da casa”, explica Luís Araújo.

O arquiteto Antônio Fialho diz que, em primeiro lugar, é preciso ficar atento ao equilíbrio do mobiliário e das peças decorativas. “Se estiverem em desacordo com as proporções do ambiente, ele ficará tumultuado e contrariará a ideia de fluidez do espaço que o mezanino sugere”. A regra das proporções deve considerar, ainda, a altura do pé-direito, principalmente se ele for variável – como no caso de forros que acompanham a inclinação do telhado. Do contrário, o usuário pode se sentir oprimido. “Para completar, como em qualquer ambiente, a mistura no mezanino de objetos e materiais que não tenham uma mesma linguagem é arriscada por comprometer a harmonização visual”.

Outro problema é colocar peças muito grandes ou altas, que bloqueiem a visão do espaço para o piso inferior ou o contrário, segundo Antônio Fialho. “Como todo mezanino tem um parapeito ou guarda-corpo de proteção, não é conveniente que se coloquem neles peças que atrapalhem a leitura do ambiente e a fluidez visual ou até mesmo a segurança de quem está no piso inferior”.

VISTORIA

Mas mais do que investir em uma boa decoração, é essencial ter em mente que, com o tempo, será necessário fazer um monitoramento periódico da estrutura espaço, como se faz em qualquer tipo de construção, de acordo com Antônio Fialho. “Já mezaninos feitos em estrutura metálica devem ser acompanhados para verificar possíveis pontos de oxidação ou algum tipo de inclinação/movimentação inesperada do conjunto”, conta. Quanto aos de madeira, uma preocupação é alguma infiltração que possa provocar o apodrecimento de peças da estrutura, como lembra o arquiteto. “A infestação por cupins também pode comprometer a estabilidade do conjunto e é outra preocupação”, alerta Antônio Fialho. Luís Araújo confirma que o mezanino precisa de uma manutenção similar ao restante da casa. Assim, a estrutura deve ser sempre acompanhada.

Palavra de especialista - Giovana Rabelo, designer de ambientes: “Regras e exigências legais”

 (Eduardo Almeida/RA Studio)
Piso elevado e integrado a um compartimento, usado normalmente como estrutura interna de edificações, o mezanino é um pavimento intermediário encaixado entre dois andares, onde o piso superior ocupa apenas uma parte da construção. Lojas, apartamentos ou mesmo casas que tenham ambientes com pé-direito alto são os tipos de construção que podem abrigá-lo. Quando os mezaninos são construídos após a obra já estar pronta, geralmente são feitos de estrutura metálica, devido à facilidade, agilidade e praticidade. Mas antes de fazer o serviço é necessário verificar se a estrutura existente comporta o peso e a montagem do espaço. Tomado esse cuidado, como é um ambiente sem janelas, porém aberto para a área interna, podemos aproveitá-lo de várias maneiras. As escadas de acesso poderão ser construídas em aço ou madeira, atendendo as exigências da NBR 9.077 quanto ao dimensionamento, largura, guarda-corpo e corrimão. Na hora de fazer o projeto, leve em consideração o leiaute da área, a altura livre embaixo do mezanino, o tipo de piso a ser considerado, a carga máxima distribuída por metro quadrado e o pé-direito.

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